Notícias

Estrelas CCA – Pedro Pimpão

Na continuidade da nossa rúbrica, Estrelas CCA, estivemos à conversa com um dos jogadores mais acarinhado pelos ansianenses no geral. Pedro Pimpão passou 10 anos ao serviço do clube e fez toda a sua carreira de sénior no Clube Caçadores de Ansião, tendo conquistado vários títulos ao serviço do nosso clube. Esta é mais uma homenagem a um jogador que tanto deu ao CCA.

Como, e através de quem chegaste ao Ansião na época de 98/99??

O CCA tinha como estratégia consolidar a equipa sénior na divisão de honra do distrital de Leiria e, para isso, nessa época fez um esforço para reforçar a sua equipa principal, com jogadores consagrados no campeonato distrital e com jovens com formação que garantissem alguma sustentabilidade futura. Na altura, quando terminei a minha formação no SC Pombal, tinha a oportunidade de ir para vários clubes mas escolhi logo Ansião porque já conhecia o clube, as pessoas e tinha a certeza que era a opção certa e que me permitia conciliar com a minha carreira académica que era a prioridade.

A adaptação correu bem, ou sentiste alguma dificuldade ?

A adaptação foi espetacular. Ansião é uma terra extraordinária e fui muito bem acolhido desde o primeiro dia, tanto pelos colegas mais velhos da equipa, como pelos dirigentes que nos acarinhavam muito e pelas pessoas que trabalhavam no clube. Conheci tanta gente maravilhosa que nos faziam sentir em casa. Ansião tem uma mística muito especial. Às sextas-feiras tínhamos sempre um jantar da equipa na própria sede do clube com a equipa de futsal que existia na altura e mais tarde na Adega Típica onde eramos (e somos) muitissimo bem tratados. Aos domingos, depois do jogo, a equipa era convidada para jantar em casa dos sócios do clube o que para nós era fantástico e reforçava o nosso espirito de companheirismo. Como tínhamos um grupo de Coimbra, por vezes, ainda conseguíamos prolongar/associar este espirito de companheirismo desportivo com o espirito académico o que era uma “combinação explosiva”. Foram muitos e bons momentos!

Durante as 10 épocas que estiveste ao serviço do clube, consegues encontrar um momento particularmente marcante ?

Os momentos mais marcantes foram os das vitórias e foram muitas. Destacava, no entanto, a nossa consagração como campeões distritais, quando jogámos a final na Bidoeira com o Óbidos e fizemos um “estágio” que ia contra tudo o que diziam as regras: almoçámos numa esplanada à beira-mar, andámos na areia, jogámos com meias de lã num calor intenso, o nosso adversário tinha uma claque hostil e barulhenta mas, com humildade e muita competência, honrámos a camisola “cor de vinho” e obtivemos uma vitória justa e merecida que festejámos noite dentro.

No teu percurso no clube, cruzaste-te com bastantes pessoas. Quais foram aquelas que mais te marcaram ?

Essa é uma pergunta difícil de responder. O que mais apreciei em Ansião ao longo de todas as épocas foram as pessoas maravilhosas que conheci e os amigos que fiz para a vida. Ainda hoje, quanto volto a Ansião – o que ainda acontece com regularidade – as pessoas interpelam-me e fazem-me recordar episódios que eu já nem me lembrava mas que comprovam os espetaculares momentos que vivi com uma comunidade magnifica.

Quais as diferenças entre o CCA de hoje em dia em comparação com o CCA de à 20 anos atrás ?

Essa é uma pergunta que também tenho dificuldade em responder porque em 20 anos muita coisa muda. Dou-lhe um pequeno exemplo, nós não tínhamos piso sintético quando jogávamos no mítico Campo da Mata, mas essa era uma “arma” que usávamos com muita raça e determinação e era muito difícil para as equipas adversárias ganharem-nos em casa. Hoje, os jogadores têm outras condições mas isso é normal e é fruto da evolução dos tempos.

Hoje em dia, como deputado da Assembleia da Républica, mas sobretudo como Presidente de Junta de Freguesia, que impactos positivos têm estes clubes regionais como o CCA, no desenvolvimento de uma freguesia ?

O impacto destes clubes é enorme. Eu entendo o desporto como uma escola de valores, como instrumento de promoção do companheirismo, de fortalecimento do espirito de entreajuda, de organização individual e coletiva, assim como, de superação pessoal e cumprimento de objetivos. Estas ferramentas que adquirimos no desporto são-nos muito uteis para a nossa vida e a comunidade sai a ganhar com clubes como o CCA que promovem a pratica desportiva, a ocupação saudável dos nossos jovens e contribuem para a divulgação do nome da comunidade para além dos limites administrativos dos nossos territórios.

Apesar da tua vida activa, com uma agenda que penso que seja bem preenchida, continuas a seguir o CCA e a vila de Ansião de perto ?

Claro que sim. Infelizmente não posso acompanhar tanto como gostaria nem o CCA nem o Sporting Pombal que são os clubes que estão permanentemente no meu coração. Contudo, acompanho muito de perto os resultados e as “mexidas” de mercado. Ainda tenho vários jogadores e treinadores no ativo que são meus amigos e mantenho uma relação próxima com os dirigentes. Aliás, tento sempre estar presente em Agosto no encontro promovido com ex-atletas do clube no âmbito das festas do concelho.

Nos confrontos entre o CCA e o Pombal, como geres os teus sentimentos ?

Essa gestão não é fácil mas faz-se bem. Devo muito ao SCPombal onde sou dirigente há muitos anos e onde tive, desde muito novo, a minha formação enquanto futebolista e cidadão. É o meu clube principal e é o clube da minha terra natal. Por outro lado, tenho o Ansião que foi o clube onde fiz toda a minha “carreira” de sénior. Vivi aqui dos melhores momentos da minha vida que jamais esquecerei. Este foi o clube que me permitiu conhecer gente maravilhosa, praticar a modalidade que mais gosto, alcançar títulos e, mais importante, terminar a minha licenciatura já que tínhamos uma “comitiva” especial que vinha três vezes por semana de Coimbra para Ansião para os treinos. Estarão sempre, ambos os emblemas, no meu coração!

Para finalizar, gostarias de deixar um agradecimento a alguém em particular, ou no geral ?

Claro que quero deixar um agradecimento muito especial a todas as pessoas de Ansião que me proporcionaram alguns dos melhores momentos da minha vida. O sr Jaime que era o nosso massagista e o sr Cunha que era o nosso roupeiro são duas pessoas que simbolizam bem a humildade e a dedicação ao clube que nos servia de inspiração diária. Não esquecerei a proximidade e confiança do Adriano, o Luís Alfredo, o Sr Teixeira, o Pedro, o Saul, o Paulo, o Alcino, o Godinho, o sr Moreira e tantos outros dirigentes que simbolizo no Dr Rui Oliveira que era o Presidente do Clube e no Fernando Marques que, sendo Presidente de Câmara, estava muito presente na vida do clube. Não conseguindo referir todos os dirigentes, creio que me perdoarão se englobar todos na memória do nosso amigo ZUCA que nos deixou há muito pouco tempo e que mantinha sempre uma relação muito estreita connosco.

Na impossibilidade de agradecer a todos os meus colegas, tenho que deixar uma palavra especial para os capitães David (que jogou até aos 40 anos!!!) e o Fazenda (que agora assumiu a presidência do clube com muita garra) pois eram os nossos capitães, numa função que (com o Samuel, o Bajedas e o Palhais) também assumi na hierarquia com muito orgulho e que eram fieis transmissores da mística ansianense. O João Filipe, que era o nosso “motorista” e talentoso futebolista, que continuou ligado ao clube noutras funções, simboliza bem a mística e a alegria que nos unirá para sempre – a todos os que partilharam o mesmo balneário.

Como o espirito do CCA também extravasava as quatro linhas, temos que ser justos e deixar uma palavra de amizade a toda a magnifica “equipa” da Adega Típica, aos Carlos, ao Albino, à dona Armanda, à Margarida, ao Pedro e a todos os que nos aturaram como “filhos” durante tantos anos, porque crescemos juntos!

Clubes como estes só sobrevivem com apoios e, em boa hora, o senhor Friesen e o Stephen investiram no clube e deram um grande exemplo de responsabilidade social que devia ser seguido por muitos empresários. Eu guardarei esse bom exemplo!

Leave a Reply