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Estrelas CCA – Jorge Monteiro

Na rúbrica ”Estrelas CCA”, fomos ao encontro de um antigo defesa ansianense. Chegou ao clube à 30 anos atrás, quando ainda era juvenil e terminou a carreira no clube da terra.

Na tua primeira época no CCA, em 87/88, jogaste nos juvenis. Como era o futebol de formação naquele tempo ?

Iniciei a minha formação na época 86/87, seria a minha primeira época de juvenis, ou seja, tinha 15 anos quando iniciei a minha ligação ao CCA, logo aqui existe uma grande diferença com a atualidade, a idade em que nos era proporcionada a iniciação desportiva a nível de futebol local, hoje em dia a maioria dos clubes tem praticamente todos os escalões de formação, o que significa que os jovens de hoje tem oportunidade de iniciar a sua formação muito mais cedo, o que lhes permite obter bases mais sólidas, por exemplo anteriormente dava-se mais relevo ao treino físico sem bola e agora há basicamente a mesma intensidade de treino físico, mas com uma grande vantagem, a inclusão de bola durante praticamente todo o treino, sendo este um fator motivacional  para os “miúdos”.

Respondendo concretamente à pergunta, o futebol de formação daquela época era totalmente diferente do que se pratica actualmente, em todas as suas vertentes, quer a nível das condições físicas que os clubes podiam oferecer aos atletas, quer a nível das dificuldades financeiras e humanas que os clubes se deparavam, embora ainda hoje esta dificuldade persista. Era dificil conseguir a continuidade dos vários escalões, quer pelos motivos indicados, quer, também, por falta de jovens disponíveis para a modalidade. Em todo o caso as duas épocas que passei nos juvenis do CCA, foram dois anos em que aprendi muito a nível de futebol e, sobretudo, o mais importante de tudo, conhecer e relacionar-me com pessoas incríveis e fazer amigos para a vida.

Depois já sénior, regressaste ao clube em 1994. Por quais clubes passaste antes de regressar ao clube ansianense ?

Após as duas épocas no escalão de juvenis, sucedeu-se a ascensão ao escalão júnior e aqui residia o tal problema da formação daquela altura, não havia a continuidade de escalões no CCA, todos os jogadores que subiam de escalão tinham duas soluções, ou deixavam de jogar futebol, ou tinham que ir para outro clube para continuar a sua formação em quanto jogadores de futebol, neste sentido e porque havia, também, interesse de ambas as partes, fui para o S.C. de Pombal, fazendo parte durante duas épocas de uma grande equipa de juniores que subiria aos nacionais de juniores no meu último ano de júnior.

Na época 90/91 passei a sénior, nesta altura o CCA tinha terminado por completo com a sua participação em todos os campeonatos da A.F.L., ou seja, o meu, sempre desejado, regresso como sénior ao CCA estava hipotecado, mas a minha ambição e objetivo de continuar a jogar estava intacta. Foi aqui que surgiu o convite do L.G. Chão de Couce, que tinha subido nessa época de divisão, iria disputar a divisão máxima do distrital de Leiria, a antiga I Distrital (agora divisão de honra), não hesitei e assinei, tendo-me mantido, com muito orgulho, ao seu serviço durante quatro épocas, onde fui sempre muito acarinhado e apoiado por todos, desde adeptos, diretores e colegas de equipa.

No entanto no final da última época como jogador do L.G.C.C. surgiu a noticia que o CCA iria voltar na época seguinte, tendo como base jogadores da “casa” que estavam a jogar noutros clubes, começaram a haver contatos para isso acontecer, finalmente iria jogar como sénior no CCA, aqui um enorme agradecimento a todas as pessoas que estiveram na origem desta retoma do CCA aos distritais de Leiria.

Quando regressaste, como descreverias o CCA daquela altura ?

O CCA sempre foi um  clube de grande prestigio a nível distrital e respeitado em todo o lado, sempre com equipas recheadas de excelentes jogadores, quando recomeçou sentiu-se que se estava a iniciar um novo ciclo, sem se saber bem o que iria acontecer dali para a frente, estávamos a começar do zero, embora houvesse por trás uma história, um passado recente bastante positivo, não se queria cometer os mesmos erros que levaram à extinção do futebol anteriormente, para tal formaram uma base sólida, com uma direção que “arregaçou” as mangas e pôs mãos à obra, formando jogadores  e resgatando outros, iniciando um processo que logo na primeira época deu os seus frutos, subida de divisão e na segunda época campeões distritais, após dois anos do reinicio do futebol colocou-se o CCA onde nunca deveria ter saído, no topo do futebol distrital.

Resumindo em breves palavras a resposta, quando regressei ao CCA encontrei um clube com grande  historial, com um passado recente onde as coisas não correram tão bem, mas com uma vontade tremente de vencer.

Quais as diferenças entre o CCA de hoje em dia em comparação com o CCA de à 25 anos atrás ?

Fazer comparações entre hoje e há 25 anos, é difícil, houve uma evolução muito acentuada durante estes anos, quer no aspeto técnico, quer no aspeto físico. Hoje em dia as condições físicas dos equipamentos são totalmente diferentes, para melhor, nomeadamente os recintos de jogos, hoje praticamente não se encontra um “pelado”, há 25 anos atrás raramente se jogava fora deles, se a memória não me falha existia 2/3 relvados naturais, sintéticos ainda não se falava muito, hoje existem balneários e salas de apoio com belíssimas condições. Há atualmente um conjunto de fatores que oferecem aos praticantes, aos dirigentes, técnicos, adeptos, etc. condições que nunca tivemos… no entanto tivemos o “nosso” campo da mata, grandes tardes, grandes jogos, ali não era fácil para as equipas adversárias…

Durante as 7 épocas que estiveste ao serviço do clube, jogaste com algumas das figuras mais emblemáticas do CCA. Qual foi a que te marcou mais ?

Nas 7 épocas que estive, como sénior, ao serviço do CCA joguei com enormíssimos jogadores, jogadores do melhor que havia a nível distrital e alguns que se tem tido oportunidade poderiam ter chegado mais além, no entanto não vou nomear nomes porque estaria a ser injusto para com aqueles que provavelmente me iria esquecer, enaltecerei sempre as equipas no seu todo, foram épocas inesquecíveis, vividas com grupos fantásticos.

No campo, como eras enquanto jogador ? Como te descreverias ?

Pois… essa pergunta não sei se vou conseguir responder de acordo com aquilo que as pessoas achavam de mim, no entanto acho que que era um “um osso duro de roer”… para mim cada jogo era como se o último se trata-se, jogava com uma garra enorme, tinha um bom poder de antecipação e elevação, dando-me, assim, a possibilidade de ganhar a maioria dos lances aos adversários, caraterizava-me por ser um defesa relativamente rápido e que gostava de sair a jogar e que nunca dava uma lance como perdido.

Hoje em dia, continuas a seguir o CCA ? De que maneira ?

Vou seguindo  o CCA a todos os níveis, tenho pena de não seguir mais de perto, no entanto é através das redes sociais e diálogos com pessoas ligados ao Clube que mantenho a par do quotidiano do Clube.

Para finalizar, gostarias de deixar um agradecimento a alguém em particular, ou no geral ?

O meu agradecimento vai para, de uma maneira geral, todos aqueles que me proporcionam um dia fazer parte da história do CCA, para todos aqueles que, como jogadores, diretores, roupeiros, massagistas e adeptos, pois sem toda esta moldura humana nada disto era possível, o meu muito obrigado a todos. Obrigado CCA.

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